Belo, meu belo, preferia quando tinha saudade, quando as fotografias eram terríveis silêncios muito longe das pontas dos meus dedos, quando cada som tinha de ser calado antes que eu começasse a chover pelo corredor...
7/30/2010
7/27/2010
Desprende-se uma doçura no teu corpo depois de o cansaço te domar, silencioso, os dedos finalmente sem perícia de desabotoar-me as costas. Espero de ti o mesmo cuspo o mesmo interesse minucioso e curto que todas as coisas belas de colecionar, mas então a doçura no teu corpo, tão surpresa que ouso descansar a cabeça no calor da tua manga, esconder a cara toda no calor da tua manga, só um pouco, só enquanto é verdade...
7/16/2010
7/08/2010
Pouco penso nestes tempos. Atiro-me ao rio como se fosse líquido e não me quebrasse o corpo, atiro-me do parapeito como se tivesse asas emprestadas de beija-flor. Que me importa que amanhã seja o dia em que te mostrarei quem sou sem farsa, passará depois logo a seguir logo um instante e certamente ficarei sozinha. Esbanjo a alma em coisas de nada... Vinho, pêssegos, pedaços de harpa no escuro quente do quarto. É pequeno o meu corpo ao lado de um corpo de homem, caminhamos lado a lado dou-te a mão, quero ser a tua criança, quero caber-te no canto do cotovelo e acreditar em ti como num herói, quero ser a tua criança adormecida nos lençóis tocada com a graça de um amor inexplicável pela minha pequenez de figura.
7/05/2010
a manhã
De manhã perturbo os bichos que dormem nos recantos da casa, criaturinhas silenciosas que partilham o podre das minhas gavetas e que fogem ao meu tactear cego.
Há uma dança de pássaros sobre os telhados, espreguiçam as asas em círculos vertiginosos, ensurdecedores, ocupam o céu todo...
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