2/07/2016

Bicho

Fintamos os minutos, esperamos ser crianças para sempre 
e um dia iremos à igreja, é certo que sim.
Mas sabes, 
eu tenho quase trinta anos e enquanto tu bebes um refresco em Turim 
eu apago a tua cara da minha com borracha e unhas, 
quando te encontrar hei-de lembrar-me vagamente dos teus olhos azuis, um formigueiro indeciso, 
hei-de passar por ti com o meu filho pequeno ao colo sem dirigir-te palavra.

De onde é que eu conheço aquela cara...

2/06/2016

Neste meu palácio vive o teu cheiro
e um ou outro cabelo perdido no sofá,
na almofada da cama,
um encardido de ires ficando comigo
dia-não
dia-não,
às vezes real e nú a respirar o frio como eu,
outras vezes um bicho maçador que sacudo da minha orelha,
uma cócega imaginária.