4/26/2011
4/19/2011
Se não posso amar-te encherei então de pão a mesa, de uvas de café de vinho, de copos mais bonitos de nocturnos de Chopin, dobrarei direitas as toalhas, esticarei nas tuas pernas uma manta quente. Serei silenciosa enquanto escreves, bailarina quando me olhares, entre o cheiro do café, da cadeira de baloiço junto à janela. Se não posso amar-te pagarei o jantar e o taxi e tantas diversões quantas queiras até satisfazeres a tua curiosidade do mundo. Se não posso amar-te então esperarei pacientemente que voltes para fazer-te a cama de lavado, um copo de água à cabeceira, as cortinas abertas para que o outono entre sobre ti numa luz que terei planeado, pequeno palco onde te observo da demasiada distância de ser espectadora, nada mais que isso. Se não posso amar-te farei outra coisa qualquer, um interminável trabalho que me ocupe as mãos tão assustadas, se não posso amar-te então amarei o lugar onde és tu, a almofada ou o prato onde descanses.
4/04/2011
João e Maria
Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?
Chico Buarque
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