4/19/2011

Se não posso amar-te encherei então de pão a mesa, de uvas de café de vinho, de copos mais bonitos de nocturnos de Chopin, dobrarei direitas as toalhas, esticarei nas tuas pernas uma manta quente. Serei silenciosa enquanto escreves, bailarina quando me olhares, entre o cheiro do café, da cadeira de baloiço junto à janela. Se não posso amar-te pagarei o jantar e o taxi e tantas diversões quantas queiras até satisfazeres a tua curiosidade do mundo. Se não posso amar-te então esperarei pacientemente que voltes para fazer-te a cama de lavado, um copo de água à cabeceira, as cortinas abertas para que o outono entre sobre ti numa luz que terei planeado, pequeno palco onde te observo da demasiada distância de ser espectadora, nada mais que isso. Se não posso amar-te farei outra coisa qualquer, um interminável trabalho que me ocupe as mãos tão assustadas, se não posso amar-te então amarei o lugar onde és tu, a almofada ou o prato onde descanses.

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