Talvez eu consiga ser esta outra, criada da minha costela, deitada ao sol na cama de duas semanas olhando o pó pelo ar pelo chão pelas folhas verdes da pequena natureza que vive no meu quarto, despreocupada enquanto sinto na pele os lençóis macios demais quebrados do suor. Talvez consiga andar pela casa num robe comprido e imundo, lindissimo de pássaros, nos pés os grãos bicudos que a rua traz, nos olhos a chávena de chá (uma ou duas ou tantas...) teimosa na mesa, no peito um pouco de nojo de grito, mas talvez eu consiga, se o cabelo me cair nos ombros da forma mais bela talvez eu consiga ver nesta tragédia o palco de luzes arranjadas onde um dia já fui tão feliz.