Abraçar-te é como abraçar-me a mim quando era um anjo descalço, cheio de desenhos na cabeça sobre como fazer o mundo e a minha sala e a minha roupa para amanhã.
Abraço-te e cheiras ao palco que resmungava, cheiras ao dourado quente das luzes nas pálpebras e às finas farpas de chão que dançavam nos meus pés, cheiras à primeira pele ao primeiro gato à primeira pena de almofada solta sob o peso do meu corpo.
Abraço-te e nos teus braços sinto um silêncio macio, como quando eu era um monte de asas a procurar um ninho quente.
Abraçar-te já nem é amor por ti, entendes... é um afago na saudade que eu tenho de tudo.