1/16/2008

há cinco anos

Aos 15 anos quis ser grande. E ser grande eram umas calças aos quadrados e uns sapatos de camurça com atacadores… e andar sozinha quando chovia, e acabar a tarde numa casinha de chá, mesa para duas pessoas na varanda pequenina, chá de jasmim com flores a boiar e vapor.
Aos 15 anos era grande. Acordava num parapeito ao pé do mar e ouvia os pardais, ouvia as ondas, ouvia a panela cheia de aveia e maçã, ouvia a viola dela, ouvia Jorge Palma e Bach, ouvia folhas de papel de poemas grandes de poetas grandes. Acordava e a casa não era minha, era dela e do mar, portanto eu era grande, 15 anos que não interessavam mas só aquele dia, só aquela manhã, só aquela manhã eram os outros anos todos que eu precisava...

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