De repente o mundo parou, mas não é bem assim, continuamos a ir ver o mar e a encher a despensa, o homem dos correios traz caixas grandes e pequenas e estendemos roupa no jardim.
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, tu continuas a correr pela casa e a puxar a minha roupa e a repetir o meu nome, o que me deste, e há vozes de outros e caras na televisão e palavras em inglês e plasticina e cantigas com bonecos e lápis de cor espalhados pelo chão, o teu mundo nunca pára.
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, nas minhas entranhas tu rebolas e apertas e empurras como se quisesses também ver de perto as montras vazias, as cadeiras empilhadas das esplanadas, os velhos sozinhos na berma da estrada com o saco de pão e pouco mais, sem uma palavra, sem uma esperança de algum dia voltar a ver o mundo em azáfama, aquele jogo de cartas debaixo de uma árvore, o copo de aguardente com o amigo da escola.
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, não foi o mundo, foi
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