3/14/2026

Hamnet

 Da primeira vez foi na garganta, nas vísceras,

a bofetada de perder um filho imaginário, a incredulidade.

Quando repeti a película respirei fundo,

(não me apanhas, já sei ao que vou)

arrumei a fina lâmina dos pulsos e recostei-me a olhar, só.

E vi

a saudade, 

a ladainha da cabeça sem descanso possível,

as lágrimas sem mais água,

a paz então de ver um filho a brincar aos soldados,

de idade cumprida,

a rendição. Finalmente estender a mão e dizer

Adeus.


E o teatro, que arrepio, o teatro!...


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