Vocês dançam. Têm dentro de vocês um rebento ainda muito pouco verde, ainda muito pouco rebento, um caroço preto de maçã cortado ao meio por uma faca quando dançam, tão branco no meio. Ainda nem são rebentos, vocês, são uns novelos uns tambores, um molho de papelinhos de carnaval atirados ao ar, parados em câmara lenta, de braços levantados, de bocas abertas, de olhos fechados... Quando caem fazem barulho, atiram-se ao chão, ou então deixam-se cair, carocinhos de maçã e só então serão rebentos, a crescer em tiras de espaço onde ainda não há nada, vão crescer, um pé para o ar , um braço para o ar, um grito para o ar. Crescem de pernas para o ar.
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