12/18/2007

pedaços

A roupa saída do estendal em Coimbra cheira a frio e detergente. Cheira mais a frio. Acho que cheira a frio que fica nas minhas mãos frias quando apertam a roupa na corda. Fica a agitar ao vento, às estrelas, ao frio...


Um homem do campo vem à cidade. Vê-se que é do campo, tem terra nas unhas e muita roupa para assustar o frio, roupa pequena tricotada pela mulher. Um homem do campo vem à cidade e anda de autocarro. Olha pela janela e repara: nêsperas num quintal, um bom portão, pinhas grandes para o fogo.


Beijar uns lábios novos. Explica-me como é. Vou ter frio nas costas?...

1 comment:

Eanes said...

Esta história lembrou-me a infância: lembrou-me das tardes de frias de Montevideu, quando puxava a camisa de um estendal e me gelavam as pontas dos dedos. O sol era tão frio nos meses de Julho e Agosto que por vezes corríamos as persianas, na esperança infantil de contornar aquela estúpida estação invernosa.