7/07/2009

Ser pequena agarra-se a mim como um laço do vestido, segue-me, espreita-me por cima do ombro. Passos mais pequenos. Mãos mais cheias de rebuçados, um buraquinho nas meias ninguém vê... Eu tenho uma fotografia das minhas costas. As minhas costas ossudas entre botões desapertados. As minhas costas cheias de sombras e sulcos de costelas, encaracoladas numa vergonha de lençóis. Lembro-me... Era assustada como um bambu. Segurava a chávena numa concha de mãos que fervia. E a manhã era o meu dia inteiro.
Eu sabia-me. Sabia-me bem. As minhas costas nunca foram ossudas. Eram naquela fotografia. Eu era ossuda, assustada como um bambu...
Tu brincas com as minhas costas, as minhas costas cheias de sombras, são só papel agora, fotografia transformada em avião de folha que lanças sem medo de perder.

No comments: