8/23/2009

e morreram felizes para sempre

… imaginar que a morte é um despedir de muitas mãos, uma carícia de lençóis sem um vinco, o sino das chávenas no armário quando a janela se abre de rompante e engoles o último ar ensolarado do quarto. Gostava de imaginar que a morte vem quando as cortinas se abrem, morrer olhada por muitos olhos que me aplaudem e choram e no fim me felicitam por morrer tão bela. Gostava que a morte chegasse naquele fio de cabelo que ficou fora do laço e que cai sobre o pescoço, que nada no meu corpo denunciasse o despedaçar eminente. Gostava que a morte chegasse só depois de fechar os olhos.

Não é.

2 comments:

Catarina said...

fiquei de olhos lavados com este texto. Que bonito Carolina, que bonito! Quem dera que sim, que fosse como o escreveste. Vamos acreditar que é?

Catarina said...

Não consigo parar de ler as tuas palavras...