Deito-me cedo. Nada mais me espera depois de fechar a porta de casa. O pó dos livros. Os cactos sobrevivem no meu alheamento. O pão que como a olhar a rua, a noite a chegar aos vidros dos carros.
O silêncio das coisas que são nossas e que não nos incomodam o adormecer.
Na minha rua alguém toca saxofone e as árvores são velhas e estão em flor.
Um dia partirei e terei de inventar tudo de novo. Erguer a minha casa do pó. Escolho um figurino e todos acreditarão. Dar a mão um estranho. Espero partir, partir...
Amargo na boca... Por isso apago a luz e deito-me cedo.
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