Longe quando caminhávamos juntas, subíamos ruas escorregadias de areia e carris, um pão uma pêra, montras fechadas de sapatos cheios de pó e aranhas adormecidas, os teus cabelos eram tão compridos e havia uma nódoa no meu vestido, o tempo não tinha tamanho nenhum. Longe quando coleccionávamos a vida dos outros, postais e grafonolas, e eu não sabia ser triste ou natural, eu e tu éramos uma extravagância, nada mais que isso.
Sonhamos as estradas nesta manhã parecida, eu sou silenciosa e agradeço as esmolas, tu chegas carregada dos mesmos sacos e de outra igual a ti. Sorrimos. Eu deixei cair uma nódoa na saia. E porque não...