9/16/2006

coimbra

Coimbra ontem. Vazia, coimbra fica vazia no verão. Ninguém é de coimbra, a coimbra pertencem só as capas negras e os livros grandes, e as janelas das republicas, as ruazinhas onde adormecem copos de vinho. Mas ninguém pertence a coimbra. Coimbra é um aconchegozinho onde nos perdemos por uns anos, umas horas, uns segundinhos... para depois voltar à correria da nossa casa, seja ela na cidade ou no campo, a nossa casa que anda sempre a correr porque é nossa e nela correm caixinhas e baús de cartas e fotografias e tios, correm como seiva. É em coimbra que a festa se passa e no entanto é lá que me sinto sempre estranhamente adormecida, como se sonhasse e o tempo nunca passasse. Ando naquelas ruazinhas e assim desligada da minha casa sinto quase como se me tivessem concedido mais tempo de vida, um tempo fora de mim, das minhas paredes das minhas molduras... Sou só eu, só eu e o meu tempinho precioso de brincar às meninas crescidas.

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