Escrevo www.meteo.pt e fico horas a olhar para nuvenzinhas electrónicas que chovem em faro e coimbra num portugal em ponto pequenino. Não sei mais por onde hei-de ir, fico horas a ver chover assim em ponto pequeno e corro o país inteirinho, mato a minha fome de lugares e de fugir de casa. Ao ver assim tudo tão pequenino parece que espreito no fundo de uma caixa de legos, dá-me vontade de rir por ter assim um passaporte tão fácil para a infância, gosto da pequenice porque crescer é esconder muita poeira debaixo dos tapetes, tapetes secretos cheios de poeira secreta capaz de fazer espirrar qualquer armadura de ferro…
Mas não espreito as nuvens para ser pequena. Espreito-as porque não há mais nada para fazer, é de noite e há um silêncio caladinho, ouve-se o frigorífico com seu zumbido de adormecer fatias de queijo flamengo. Mais nada. As janelas estão fechadas, estou fechada aqui, e a única paisagem que tenho é a deste portugal encolhido, onde chove chove sem parar mas nem sequer uma gota escorre pelo teclado, podia escorrer, aproveitava-a para pôr na jarra das rosas que estão a murchar, bebia-a para empurrar o pão seco na garganta, deitava-a na mesa e desenhava-te a rir para mim, para me fazeres companhia na caminhada pela serra da estrela e pelas vinhas do douro que imagino debaixo daquela nuvem mais cinzenta e choramingona, podia escorrer e bater-me na mão e acordar-me e fazer-me arranjar uma janela que não fosse de computador, uma janela que tivesse vento, vento de verdade!...
Mas não acredito, crescer aqui é ter uma serrazinha só para passear a ponta do dedo, ser sempre gigante com mãos gordas de mais para apanhar bichinhos-de-conta, sou como um girino no lago, vou crescendo crescendo, e apesar do meu corpo estranho e esguio hei-de acabar sempre como eles todos. Uma rã.
Mas não espreito as nuvens para ser pequena. Espreito-as porque não há mais nada para fazer, é de noite e há um silêncio caladinho, ouve-se o frigorífico com seu zumbido de adormecer fatias de queijo flamengo. Mais nada. As janelas estão fechadas, estou fechada aqui, e a única paisagem que tenho é a deste portugal encolhido, onde chove chove sem parar mas nem sequer uma gota escorre pelo teclado, podia escorrer, aproveitava-a para pôr na jarra das rosas que estão a murchar, bebia-a para empurrar o pão seco na garganta, deitava-a na mesa e desenhava-te a rir para mim, para me fazeres companhia na caminhada pela serra da estrela e pelas vinhas do douro que imagino debaixo daquela nuvem mais cinzenta e choramingona, podia escorrer e bater-me na mão e acordar-me e fazer-me arranjar uma janela que não fosse de computador, uma janela que tivesse vento, vento de verdade!...
Mas não acredito, crescer aqui é ter uma serrazinha só para passear a ponta do dedo, ser sempre gigante com mãos gordas de mais para apanhar bichinhos-de-conta, sou como um girino no lago, vou crescendo crescendo, e apesar do meu corpo estranho e esguio hei-de acabar sempre como eles todos. Uma rã.
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