12/31/2006

isto porque às vezes também não escrevias muitas vezes

Fiquem sabendo que ontem vos esperei até tarde, roí as unhas e entrancei o cabelo, acendi um cigarro e deixei o cinzeiro fumá-lo e mastiguei aquelas pelezinhas dos dedos convencida que haviam de chegar, logo ontem que estava decidida a não me deitar, a ver o sol nascer com o nariz espetado numa vela de eucalipto (para se parecer mais com as noites no mato) e um olho no ecrã... e nada! Nem tu com os teus textos malucos a horas que eu costumo não conseguir ver, desta vez estava decidida a esperar...
Acabei por desistir, vim sentar-me na beira da cama mais cedo mais cedo que o amanhecer, roí mais as unhas e escarafunchei as lágrimas, tão bonitos os ténis de pano no chão e no espelho, ainda com a terra da última vez e o vestido caido no chão sem um corpo lá dentro, cor-de-rosa...

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