1/11/2007

11:15 da manhã

Esta é a música dos anjos. E um poemário. Tento escrever de manhã mas parece que o escuro é mais confortável para deixar sair as ideias, um pouco loucas como fumo bem-cheiroso e chato de fogueira, sim, ouço a música dos anjos porque já me ia esquecendo que existia, fui esquecendo devagarinho que há anjos, que há brinquedos, que há livros de poemas que há jardins (embora as magnólias teimem em crescer, pequeninas e loucas de gola branca, lá fora do outro lado da estrada, entram pela janela do refeitório dentro e eu tenho de vê-las, não faz mal digo-me que são como os desenhos de deus, não significam nada ninguém sabe como ele é, ninguém sabe como é uma flor por dentro,pode ser uma criança pode ser um berlinde de vidro verde que se rompe por aquele risco colorido que tem no meio, só um estúpido desenho...)... Não esqueço nada, é só de vez em quando para fingir que a cadeira me chega, é manhã bem cedo e as flores empurram dentro de mim com uma força ridícula, sei que elas estão lá fora, sei que posso ir vê-las, sei que posso imprimi-las em papel, sei que há livros tantos livros e parapeitos com sol para lê-los, sei que há brinquedos e começa a crescer-me uma gula de saltar pela porta e ir engolir tudo, ir engolir os dezoito graus de hoje, hoje que é inverno, ir engolir o cheiro dos autocarros e o cheiro da sopa da cantina as vozes dos erasmus, mas esta preguiça nas pernas e na pele, preguiça de sentir frio, preguiça de ver que há anjos, há anjos de botas amarelas e barrigas grávidas... mas aqui para este lado já só há a música, música de anjos. E claro as flores, os livros, os autocarros isso tudo...

No comments: