4/28/2009

É diferente. Há o que se sente entre a roupa, aninhado entre as lãs e o linho do corpo, junto à pele como um hálito quente e aguçado que arranha as costas, que contorce as pernas e os dedos das mãos e que entreabre os lábios como uma fresta por onde se escuta um segredo só de ar.
E há as listas de compras, os sacos de maçãs, as gavetas, o pão quente, os sapatos novos, o pijama debaixo da almofada, a varanda, os pés frios, as vendedoras de flores, a chuva, os dois bancos do comboio, o cabelo desgrenhado de manhã onde quero que te metas sem pedir permissão.

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