4/06/2009


Quando me deito já todos dormem às escuras.

A minha cama é pequena e durmo nela sozinha. Tenho bonecas e almofadas brancas que espiaram muita gente antes de mim, fitas de seda que se desfazem nos arranhões do tempo. Almofadas de muitos mortos, guardo-as comigo agora como um colecionador insaciável, respiro as estórias que escondem e adormeço nelas.

Esta não é a minha casa. A minha casa foram muitos quartos de cores diferentes, laranja, branco, rosas de pano e paus de chuva… Mas não te digo.

Digo-te que hei-de torturar-te mas sabes que não, não sabes? Sabes que estarei lá para apertar as tuas mãos e apertar-te o cabelo num laço e humedecer-te a boca e dormir aos pés da tua cama até respirares tranquila…

Foi o que escolhi. Ser mãos que adormecem.

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