6/20/2009

Deixo caramelizar o choro no cabelo e apanho do chão os destroços de asas, pássaros de seda, a minha voz escorrida ao teu ouvido.
Nele, ela via poucos anos, brincadeiras de berlindes, mãos sujas de areia, urtigas, bichinhos-de-conta. Ela pintou-se para ele. Ela sabia que mascarar-se acabaria assim, o som de uma fivela, uma colher para dois, um botão descosido na blusa.
Antes, quando dançava em pontas de pés... foi há muito tempo. Como se nunca.
Afiar facas na minha pele. Anda. Eu deixo-te.

No comments: