10/29/2007

noobai

Ainda falta para o teatro. Olho para ti pelo vidro do copo. Estás distraido a ver os candeeiros na água, a pensar quantos homens irão cair ao rio com as próprias mãos a empurrar-lhes as costas. Num buraquinho do chão está um girassol de pano que estremece como um candeeiro no rio, um candeeiro na água a bater os dentes de frio.
Queria colar-te no olho da máquina, girá-la devagarinho nas pontas dos dedos, esperar até a luz do candeeiro se voltar para acender palhinhas nas tuas mãos e aí carregar no botão, deixar-te ficar preso, preso assim distraído a escrever mais ou menos poemas dentro da cabeça, poemas sobre a água irrequieta, sobre os telhados cheios de musgo, sobre as janelas que se acendem ainda que já se faça tarde...

Nesse dia voltámos para casa já era dia, num taxi molengão...

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