1/14/2009

o belo e a monstra

Hei-de conhecer-te quando te deixar. Quando te deixar hás-de chorar-me como se tivesse fechado a porta para nunca mais a abrir. Hás-de pintar-me em cantos de guardanapo, hás-de escrever-me poemas de mim e hei-de saber quem sou nas tuas palavras. Quando te deixar hás-de ver-me, hás-de sentir nas costas o frio do meu corpo desencostado de ti a dormir. Quando te deixar hás-de querer apertar-me e ver-me dançar suada e sem sapatos, de mãos pousadas no ar e sorriso de quem se despe em frente ao espelho, em frente a ti, com vergonha e orgulho de estar nua. Hás-de lembrar-te de mim suada e suja e hei-de ser bela para ti e as minhas costas hão-de ser um tear nas tuas mãos e o meu cabelo há-de encaixar no recanto do teu pescoço, e o meu umbigo há-de ser uma poça de água com flores de lago. E havemos de ser felizes para sempre. Quando eu te deixar.

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