11/07/2009

Alongo-me como um bocejo. Não sei o que dizer, era simples antes, lágrima ou riso, meninas imaginadas de cabelo de papel, marinheirinhos na água ensaboada da banheira. Hoje enrugo-me na flanela da cama e penso toda uma vida que não consigo lembrar ou sonhar, hoje sou eu só, incapaz de amanhã. Eu tenho palavras, entendes? Mas montá-las ao acaso? Esperar que não se despenhem de manhã se o vento for demasiado desleixado?... Eu tenho uma máscara de rir que uso quando não sei que cara vestir. Descobrem-me a careca quando procuro as palavras, engasgo-me e coro. Eu não consigo escrever, eu queria ser mais que este nevoeiro de cabelos e rouquidão, queria ser mais que um livro de selos colados tortos, corpo torto que me sirva.

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