Lisboa tem uma luz. Lisboa cheira a cafés apressados e bacalhau empilhado em caixotes, alperces secos, retrosarias de veludos empalidecidos, lisboa tem chão que escorrega de chuva. Lisboa tem os velhos que apregoam lotaria e mulheres que cantam imaginando uma voz que já perderam. Lisboa tem homens que dormem fora das montras, tem negros em longas cores, tem marinheiros com pernas de pau, com acordeãos, com silêncios compridos como ecos. Lisboa tem as pedras ao pé do rio molhadas de lodo, tem poemas velhos ainda cuspidos em algumas sombras. Lisboa... Os últimos sabedores de todas as estórias, engraxadores de sapatos vendedores de castanhas, loucos em mantas mulheres carregadas de ouros de plástico. Lisboa traquina...
No comments:
Post a Comment