Talvez eu consiga ser esta outra, criada da minha costela, deitada ao sol na cama de duas semanas olhando o pó pelo ar pelo chão pelas folhas verdes da pequena natureza que vive no meu quarto, despreocupada enquanto sinto na pele os lençóis macios demais quebrados do suor. Talvez consiga andar pela casa num robe comprido e imundo, lindissimo de pássaros, nos pés os grãos bicudos que a rua traz, nos olhos a chávena de chá (uma ou duas ou tantas...) teimosa na mesa, no peito um pouco de nojo de grito, mas talvez eu consiga, se o cabelo me cair nos ombros da forma mais bela talvez eu consiga ver nesta tragédia o palco de luzes arranjadas onde um dia já fui tão feliz.
2/02/2022
vida.
Os gestos repetem-se, o pano na cadeira a empurrar os restos da fome, a lixivia, baixa levanta sacode o tapete, pilha de pratos, a vassoura a esmigalhar o chão. Coreografia que o corpo aprende até sobrar apenas essa linguagem de braços e pernas de oficina, nada mais. Nenhum violino.
1/22/2021
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, continuamos a ir ver o mar e a encher a despensa, o homem dos correios traz caixas grandes e pequenas e estendemos roupa no jardim.
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, tu continuas a correr pela casa e a puxar a minha roupa e a repetir o meu nome, o que me deste, e há vozes de outros e caras na televisão e palavras em inglês e plasticina e cantigas com bonecos e lápis de cor espalhados pelo chão, o teu mundo nunca pára.
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, nas minhas entranhas tu rebolas e apertas e empurras como se quisesses também ver de perto as montras vazias, as cadeiras empilhadas das esplanadas, os velhos sozinhos na berma da estrada com o saco de pão e pouco mais, sem uma palavra, sem uma esperança de algum dia voltar a ver o mundo em azáfama, aquele jogo de cartas debaixo de uma árvore, o copo de aguardente com o amigo da escola.
De repente o mundo parou, mas não é bem assim, não foi o mundo, foi
1/17/2020
Talvez um dia eu e tu fiquemos loucos juntos, eu em Lisboa, tu em Bruxelas, senis na nossa mesa de esplanada, na nossa torradinha mergulhada no café como tu sempre gostaste e que, aposto, hás-de esquecer só depois de esqueceres o resto todo, primeiro esquecerás que deixaste tudo e que ela foi o teu mundo nesse mundo novo, cabelo infinito tão diferente do meu, esquecerás a magnólia que vês da janela e que se enche de primavera nos dias que ainda são de frio, esquecerás que o teu pai era igual a ti e que desapareceu num dia diferente do teu para que não restassem dúvidas sobre quem é quem, esquecerás os gatos de pelo e osso e os elefantes de louça, a luz sempre apagada da janela da sala da tua mãe, só uma migalha de sol nas bugigangas, a parede encardida da tua casa antiga, numa rua cheia de desgraçados, onde cresciam cogumelos, esquecerás o rio e os bares pequenos onde enrolavas cigarros de rir, os óculos amarelos que foram os teus olhos quase para sempre, esquecerás a nossa casa que era um quarto só, redondo, cheio de cotão na nossa preguiça de sair da cama, cheio de sol derramado nos pijamas esquecidos pelo chão na vertigem do sono ou da fome, esquecerás as paisagens onde te levaram aviões e carros, esquecerás as palavras que escreveste as palavras que leste os palcos onde te perdeste em aplausos e outros que não tu, esquecerás que te arranquei um pedaço como se fosse meu e tu não pudesses sentir-lhe dor ou falta, esquecerás tudo até ficar só eu. Eu, de cabelo apanhado no alto da cabeça e costas ossudas. Eu, para sempre menina, cheia de vergonha de ti. Eu, e aquela tarde em que recortámos fotografias a preto e branco e as espalhámos na parede do teu quarto, o teu primeiro quarto, tantas, um filme interminável de lábios e mãos e telhados que imaginámos ser o nosso, um dia, just in case de o mundo nos separar para sempre e sobrar só aquele lugar de papel e tinta preta onde, numas poucas horas, fomos felizes para sempre.
5/25/2019
O teu pai foi-se enquanto eu
bebia sake naquele restaurante com portas de papel. Nunca percebi o chão desse
lugar… feito de esteiras, áspero e sujo, capaz de guardar todas as pegadas que
ali se alimentam e nelas escamas incontáveis tornadas parte da trama, da porta
até às mesas desenhando caminhos de sombra indiferentes às lâmpadas e à rua.
O teu pai foi-se enquanto eu
bebia sake e enchia a barriga de peixinhos e arroz branco, enquanto agitava no
ar as mãos e falava talvez alto demais, tantos
meses em casa a ser pouco mais que eu mesma e naquele dia finalmente um vestido
comprido, um decote comprido, um copo a mais, uma risada a mais, e a sensação
de o mundo ser néon e olhar para mim. O teu pai foi-se neste momento, eu não estava
feliz nem triste, não pensei nisso, estava ali a falar alto, a ser diferente de
mim como se a vida pudesse nunca ter fim e o tempo pudesse ser gasto nessas
insignificâncias de mudar de pele.
O teu pai foi-se e parece que toda
a gente estava na rua a beber sake, ou gin, ou outra distração qualquer, o teu
pai foi-se e o mundo não parou, nem eu sequer parei para olhar as esteiras do
chão do restaurante, podia ter tido essa atenção aos detalhes mas
não, só pensei nelas quando já estava sentada no carro, encalorada do álcool, e
peguei no telemóvel enquanto rodava a outra mão no volante. Não esperava
as tuas palavras.
O rádio de repente silêncio, os
carros à minha volta rápidos demais, carros por todo o lado e a minha cabeça a
ver só a cara do teu pai, mais estrada nenhuma. Não fui nem capaz de chorar, eu
tão em lágrimas ainda dias antes com a ideia do teu pai, com as lembranças do
teu pai, tão parecido contigo nas fotografias a preto e branco de quando tinha
a tua idade e estava longe de ir. O teu pai foi-se e portanto levei-te no
carro, como podia deixar-te sozinho sem o teu pai, foste sentado ao meu lado
todo o caminho até casa, fomos em silêncio e eu pensei nas esteiras do
restaurante com portas de papel, tão leve como se pudesse soprá-lo e fazê-lo
desaparecer, as esteiras escuras nos espaços entre as mesas onde gente entra e
sai deixando a história invisível e suja dos seus sapatos. Porque é que o teu
pai tinha de ir? Para que te sentasses no meu carro mais uma vez? Os dois tão
cheios de lágrimas valentemente poupadas como era nosso costume com qualquer filme ou tragédia.
Aposto que o teu pai fez de propósito… para que não te perdesses. De mim, digo.
Eu sei que nunca me perderia de ti mas tu sempre foste de viagens grandes e
tens as malas feitas para partir, outra vez. Aposto que o teu pai ia gostar de
saber que me embebedei enquanto ele se ia e que desse voo saíste tu, direto
para o meu carro, em silêncio, como quando éramos miúdos e de repente o destino
nos juntou para que soubéssemos que, algures no mundo, havia alguém que sabia
rir e chorar exatamente dessa maneira.
O teu pai foi-se enquanto eu bebia sake, era de noite e o calor só veio no dia seguinte. Ainda bem, como ele ia odiar que fosse Verão sem ele...
5/05/2019
Sonhei contigo.
A tua casa era um casarão velho de humidade, uma porta cheia de gemidos, vidros fantasmagóricos descansados em janelas ressequidas e escamas de tinta sem cor. Na entrada, uma roseira de flores pequeninas, folhas pequeninas, tantas em ramos imensos nunca penteados.
Parecia que vivias logo ali, a tua vida acumulava-se toda ao rodar da porta num caos de brilhos e sujo. Na sala grande, entre sofás de veludo escondidos por lençóis pardos e aranhas, cómodas de detalhes incertos nas sombras e na confusão, mesinhas escuras e coxas, havia tapetes com cores inesperadas, cheias de viagens, copos de vinho ainda frescos, fotografias tuas e fotografias de gente morta, pratas de chocolates, brinquedos de madeira com sorrisinhos aterradores, xailes de lã mais ou menos inteiros, meias sem par, cadernos, bolachas esfareladas, auscultadores de vários tamanhos, chávenas com desenhos de primavera e café, caixas vazias de pizza, candeeiros altos e abat-jours amachucados cheios de franjinhas e fitas, tantas coisas cada vez mais pequenas que se perdiam dos meus olhos... A luz era uma coisa sem brilho, riscos de claridade da rua quase brancos de pó.
Do outro lado da confusão, uma porta. E na porta, tu. E tu eras simples. Tu eras linda. Pés pequenos e secos, tornozelos tão finos, punhos tão finos, pernas a pedir bocas e boca a pedir dedos, morangos, chocolates, a fome toda. Apareceste só de pele e camisola, uma núvem de lã grande demais para ti. Sorrias só com um canto da boca enquanto esperavas que eu te encontrasse no meio das bugigangas. A tua cabeça encostada à porta, cabelo nenhum, os teus ombros tranquilos sob uns brincos de ouro grandes demais. Esperavas. Quando te vi não fiquei surpreendido, eras mais uma tralhinha naquela sala, adorável, silenciosa, coisa de colecção, estava ali por ti e quando te atirei para cima de uma almofada o teu corpo levantou uma núvem de pó e penas e eu fodi-te. Fodi-te até colecionar o teu corpo todo, até o teu corpo estar molhado e gelado e sujo como o resto da sala. Quando me cansei de ti, puxaste a almofada para a cabeça e voltaste ao teu meio sorriso virado para mim, as tuas costas uma linha na penumbra, as tuas pernas no ar a brincar com qualquer coisa invisível como uma criança, indiferente ao que o meu corpo tinha deixado no teu, num silêncio trocista. Não falei nada contigo, fiquei sentado a olhar para ti e para a tua casa enorme que era só uma sala de inutilidades mais ou menos valiosas e estragadas, a tua cabecinha careca mais pequena do que os brincos de ouro extravagantes que usavas, os teus olhos grandes mesmo quando estavam fechados, para mim toda tu uma inutilidade linda e gulosa no meio dos teus xailes e dos teus abat-jours. Não tinha nada para te dizer.
Quando de manhã a polícia veio buscar-te, levantaste-te da tua almofada cheia do teu meio sorriso e de calma, vestiste a camisola grande demais, passaste uma mão na pele da tua cabeça para sacudir o que tínhamos feito e depois ajeitar os brincos compridos e feitos de pecinhas valiosas encaixadas. Esfregaste as pernas molhadas uma na outra, não secaram. Não calçaste os ténis rotos que estavam atirados contra a parede. Não olhaste para mim. Saiste com eles e entraste no carro sem o cuidado que a tua camisola merecia. A tua cara dentro do carro arrancou e seguiu. Nunca mais te vi.
Eu continuei parado no meio da sala, nú. Aliviado por teres continuado a tua vida sem mim, sentia por ti o desinteresse de todas coisas bonitas de colecionar. À minha volta o sol trazia à vida caixinhas de papel e de lata, bilhetes de comboio, novelos, pontas de cigarro em caricas, fósforos queimados, guardanapos, jóias enormes esquecidas entre lápis de cor e pincéis, moedas, camisolas tuas cheias de suor onde adivinhei histórias rápidas como a nossa. Curiosa sala... o que haveria atrás da porta onde te tinha encontrado? Imaginei: mais lixo e restos de seres rica e mimada.
A outra salinha não tinha janelas, era pequena, ordenada, cheirava a couro antigo e papel. Numa secretária uma caneta preta e folhas brancas. Junto à parede alinhavam-se malas de tamanhos diferentes, abertas, e dentro delas, sobre os forros de tecido florido, livros. Em cada mala uma etiqueta com um nome e uma morada, como se tivesses finalmente algo a dizer e as tuas palavras jorrassem sem caber numa carta só. Ou então continuavas num silêncio só, e por isso escolhias as palavras dos outros para que te representassem, serias assim não uma mas muitas e nessa surpresa procurei uma morada que fosse a minha, um nome que fosse o meu, fiquei subitamente com vontade de dizer-te que...
4/14/2019
Arrependo-me
de não ter parado de respirar nesse abraço,
(quieta, tão quieta...)
tanto quanto sei poderá ter sido o último,
os teus ossos magros dentro das minhas mãos, envergonhados de encontrar-se ali, outra vez,
nós os dois tão encolhidos e amachucados, umas roupas molhadas
a fingir sol na janela.
de não ter parado de respirar nesse abraço,
(quieta, tão quieta...)
tanto quanto sei poderá ter sido o último,
os teus ossos magros dentro das minhas mãos, envergonhados de encontrar-se ali, outra vez,
nós os dois tão encolhidos e amachucados, umas roupas molhadas
a fingir sol na janela.
4/11/2019
Nos intervalos em que não há respostas tuas
imagino
as tuas mãos noutro escuro,
o dela quando chega a casa do trabalho no arrepio das 18 horas,
o teu pensamento no meu quarto redondo, onde deverias fazer comigo o que não ousei fazer contigo,
a tua indiferença, afinal, no que escrevo.
E penso
porque é que o teu gelo sempre acendeu as palavras em mim.
imagino
as tuas mãos noutro escuro,
o dela quando chega a casa do trabalho no arrepio das 18 horas,
o teu pensamento no meu quarto redondo, onde deverias fazer comigo o que não ousei fazer contigo,
a tua indiferença, afinal, no que escrevo.
E penso
porque é que o teu gelo sempre acendeu as palavras em mim.
3/28/2019
Abraçar-te é como abraçar-me a mim quando era um anjo descalço, cheio de desenhos na cabeça sobre como fazer o mundo e a minha sala e a minha roupa para amanhã.
Abraço-te e cheiras ao palco que resmungava, cheiras ao dourado quente das luzes nas pálpebras e às finas farpas de chão que dançavam nos meus pés, cheiras à primeira pele ao primeiro gato à primeira pena de almofada solta sob o peso do meu corpo.
Abraço-te e nos teus braços sinto um silêncio macio, como quando eu era um monte de asas a procurar um ninho quente.
Abraçar-te já nem é amor por ti, entendes... é um afago na saudade que eu tenho de tudo.
12/23/2018
Alice
Faço-te uma vénia,
Faço-te uma vénia,
A dança é tua agora
E para mim só a certeza de os dias terem príncipio e fim.
Aperto a tua mão na minha
para que sintas
para que sintas
a Mendiga,
a Núvem de tule,
o Anjo de asas quebradiças, chapéu preto,
o calor das lâmpadas nas pálpebras fechadas, azul, vermelho,
escuro,
as costas dele, o suspiro dele, o sol na cama de gatos e
cotão,
o fugidio recordar da luz na sala, pequenina, quase sombra,
a selva de brincar cheia de folhas e elefantes…
A música. A música...Aperto a tua mão na minha e caminhamos no frio do Natal, ainda não entendes nada mas
para que sintas.
6/12/2017
Escrevi-te. Como sei que escreverei muito tempo, mesmo só ao encostar-me na mesa da cozinha a sorver café quente e a ouvir os pássaros no pátio, a minha pele um ninho redondo de gente, mesmo só ao parar as mãos na roupa engomada e dobrada antes de arrumar, cheia de perfume e vapor.
Apetece-me dedicar-te todo um minuto, porque já foram todos teus e tudo era tão bonito assim.
Gil
Desci, de braço dado contigo, pelo menos um milhão de escadas
e agora que aqui não estás existe o vazio a cada degrau.
Mesmo assim foi breve a nossa longa viagem.
A minha dura ainda, já nem preciso
dos transbordos, dos lugares marcados,
das armadilhas, das humilhações de quem acredita
que a realidade é aquela que se vê.
Desci milhões de escadas de braço dado contigo
não apenas porque talvez com quatro olhos se veja melhor.
Desci-as contigo porque sabia que entre nós os dois
as únicas pupilas verdadeiras, embora tão esfumadas,
eram as tuas.
e agora que aqui não estás existe o vazio a cada degrau.
Mesmo assim foi breve a nossa longa viagem.
A minha dura ainda, já nem preciso
dos transbordos, dos lugares marcados,
das armadilhas, das humilhações de quem acredita
que a realidade é aquela que se vê.
Desci milhões de escadas de braço dado contigo
não apenas porque talvez com quatro olhos se veja melhor.
Desci-as contigo porque sabia que entre nós os dois
as únicas pupilas verdadeiras, embora tão esfumadas,
eram as tuas.
Eugenio Montale
4/27/2017
Alentejo
As rãs falam na
sua língua de rãs, verdes, imóveis como nenúfares de música, o meu cabelo seca
no sol e na almofada, deixa uma mancha de fresco e sabonete, alguns jasmins
estremecem, algumas laranjas acabam de cair dentro da primavera, burros e
grilos passeiam em lugares que não vejo, janelas azuis cheias de calor e telhas
à espera de andorinhas.
As árvores com o
barulho de passos na areia. Com o barulho de saias a girar.
Abelhas. 4/26/2017
24 de Abril
Vês os meus pés a boiar na fotografia?
Estou feliz.
Mas quem me dera ter-te conhecido mais tarde, quase velha, com a certeza de ter-te para sempre, a tua lágrima fácil num cinema de língua estranha, o teu corpo cheio de vapor ao pé do meu nesta água quente de banheira de hotel, apaixonado por mim e pela minha lágrima fácil em cinemas de língua estranha ou ruas com azulejos encardidos e cães mordidos pela solidão, lá fora todo um mundo à espera da nossa salvação, do nosso amor exemplar e mudo de crianças amachucadas de rugas que o tempo sem nós nos deixou, quem me dera ter-te conhecido mais tarde para esta asa insistente de mosquito com o teu cheiro me deixar em paz, sou quase velha e conheci-te há tanto tempo, vai-te embora, vai-te embora, vai-te embora...
4/02/2017
11 anos
Deitada no calor de pinhões e caruma da Caparica a mesma canção sobre cigarros, os olhos fechados. O meu corpo ainda sem nenhum desejo de fumo ou outro vício qualquer. A fingir fome.
3/14/2017
O cão deitado a molhar-me a perna de um bafo quente, cheio de pêlo de verdade, o cão encostado a mim como se eu fosse o mundo todo.
Um silêncio muito grande na casa onde entardecem em perfume os jasmins.
Chega-se mais a mim o focinho a pingar de sono. Os bigodes que existem só na lâmpada que se espalha nas páginas do livro que não aprendo, não aprendo.
O cão aqui junto a mim como um casaco vestido.
2/07/2016
Bicho
Fintamos os minutos, esperamos ser crianças para sempre
e um dia iremos à igreja, é certo que sim.
Mas sabes,
eu tenho quase trinta anos e enquanto tu bebes um refresco em Turim
eu apago a tua cara da minha com borracha e unhas,
quando te encontrar hei-de lembrar-me vagamente dos teus olhos azuis, um formigueiro indeciso,
hei-de passar por ti com o meu filho pequeno ao colo sem dirigir-te palavra.
De onde é que eu conheço aquela cara...
e um dia iremos à igreja, é certo que sim.
Mas sabes,
eu tenho quase trinta anos e enquanto tu bebes um refresco em Turim
eu apago a tua cara da minha com borracha e unhas,
quando te encontrar hei-de lembrar-me vagamente dos teus olhos azuis, um formigueiro indeciso,
hei-de passar por ti com o meu filho pequeno ao colo sem dirigir-te palavra.
De onde é que eu conheço aquela cara...
Subscribe to:
Posts (Atom)